
A cratera que queima há décadas
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Categoria: Fenômenos Geológicos
A cratera que queima há décadas (Darvaza)
Autor: Redação Horizonte Oculto · Publicado em: 19 de julho de 2026 · Tempo de leitura: 10 min
Imagem de capa: - Prompt para IA: Vista noturna da Cratera de Darvaza no deserto do Karakum, Turcomenistão. Enorme poço circular com chamas alaranjadas saindo do solo rochoso, brilho intenso contra o céu noturno estrelado do deserto, silhueta da paisagem árida ao redor, estilo fotorrealista cinematográfico. - Alt text: Cratera de Darvaza no Turcomenistão à noite, com chamas de gás natural iluminando o deserto do Karakum - Legenda: Ilustração gerada por IA representando a Cratera de Darvaza no deserto do Karakum, baseada em informações científicas verificadas.
Um coliseu de fogo no meio do deserto
A primeira coisa que se percebe não é a visão — é o calor. Ainda a dezenas de metros da borda, o ar do deserto do Karakum ganha uma camada extra de temperatura que anuncia o que está por vir. Quando você finalmente olha para dentro da cratera, o chão parece ter sido arrancado e substituído por um anfiteatro de chamas. Centenas de focos de fogo tremulam nas paredes e no fundo do poço, alimentados por gás que escapa continuamente da rocha. À noite, o brilho alaranjado transforma a cratera num farol visível a quilômetros de distância, plantado no meio de um dos desertos mais vazios da Ásia Central.
Onde fica a Cratera de Darvaza
A Cratera de Darvaza está localizada no deserto do Karakum, no centro-norte do Turcomenistão, aproximadamente 260 quilômetros ao norte da capital Ashgabat. As coordenadas são cerca de 40°15′N, 58°26′E. A cratera fica próxima à pequena vila de Darvaza (também grafada Derweze), embora a população local tenha sido realocada pelo governo turcomeno em 2004.
O acesso é feito por estradas de terra que cortam o deserto — não há rodovia pavimentada que leve diretamente ao local. A maioria dos visitantes chega por meio de operadoras de turismo que partem de Ashgabat, com percurso de cerca de quatro horas, incluindo trechos off-road. Acampamentos com yurts surgiram nas proximidades para receber turistas que pernoitam para ver a cratera iluminada à noite.
A região está situada na Bacia do Amu Dária, uma zona geologicamente rica em depósitos de gás natural. O Turcomenistão detém uma das maiores reservas de gás do mundo, e o campo de Darvaza faz parte desse sistema mais amplo.
A origem: um acidente soviético em 1971
A versão mais aceita sobre a formação da cratera remonta a 1971, durante o período de exploração de recursos naturais pela União Soviética na Ásia Central. Equipes de geólogos soviéticos estavam perfurando o campo de gás natural de Zygly-Dervaza quando a sondagem atingiu uma cavidade subterrânea. O solo cedeu, abrindo um buraco enorme e liberando grandes quantidades de metano.
Para evitar que o gás tóxico se espalhasse pela região — representando risco para as comunidades próximas e para os trabalhadores —, os engenheiros decidiram atear fogo ao gás. A expectativa era de que todo o combustível se esgotasse em poucas semanas. Mais de cinquenta anos depois, a cratera continua queimando.
É preciso registrar que a documentação original desse evento é escassa. Muitos registros da era soviética no Turcomenistão foram classificados, perdidos ou nunca tornados públicos. Alguns geólogos locais sugerem que o colapso pode ter ocorrido na década de 1960 e a ignição só nos anos 1980. A BBC, em reportagem investigativa de 2021, destacou a dificuldade de confirmar datas exatas e participantes do incidente original. O que é consenso nas fontes disponíveis: o colapso foi real, a ignição foi intencional e o fogo persiste há décadas.
Geologia e combustível: por que o fogo não apaga
A cratera mede aproximadamente 69 a 70 metros de diâmetro e cerca de 30 metros de profundidade, segundo medições citadas pela Geology.com e pela Wikipedia com referência a relatórios técnicos turcomenos. Trata-se de um cover collapse sinkhole — uma estrutura formada quando cavidades subterrâneas (neste caso, em rocha sedimentar rica em gás) perdem sustentação e o teto desaba.
O combustível é metano (CH₄), que continua a fluir das paredes e do fundo da cratera a partir do depósito subterrâneo de gás natural. A combustão converte o metano em dióxido de carbono e vapor de água. Enquanto houver gás migrando para a superfície, as chamas se mantêm.
As temperaturas dentro da cratera podem atingir cerca de 1.000 °C nos pontos de combustão mais intensa, segundo estimativas reportadas pela National Geographic e confirmadas por medições infravermelhas feitas em expedições recentes. Essa temperatura extrema é sustentada pelo fluxo contínuo de gás e pelas condições relativamente fechadas da cratera, que retêm calor.
A persistência do fogo por mais de meio século surpreendeu os engenheiros originais, mas faz sentido geológico: a cratera está sobre um campo de gás substancial, e a taxa de vazamento aparentemente excedeu todas as projeções iniciais de esgotamento.
A descida de George Kourounis em 2013
Em 2013, o explorador canadense George Kourounis se tornou a primeira pessoa a descer ao interior da cratera, equipado com traje aluminizado resistente a calor e um arnês de rapel. A expedição fez parte do Extreme Microbiome Project e teve como objetivo coletar amostras de solo do fundo da cratera para análise microbiológica.
As amostras confirmaram a presença de bactérias extremófilas — microrganismos capazes de sobreviver em temperaturas altíssimas e em ambiente saturado de gases de combustão. Embora os resultados não tenham sido publicados em periódico revisado por pares com a abrangência de um estudo formal, a expedição foi documentada pela National Geographic e contribuiu para o interesse científico no potencial biológico de ambientes extremos terrestres.
Pesquisas recentes e o declínio das chamas
A partir de 2022, o governo turcomeno intensificou esforços para controlar — ou extinguir — a cratera. O presidente Gurbanguly Berdimuhamedow já havia ordenado, em 2022, que especialistas encontrassem uma maneira de apagar o fogo, citando preocupações ambientais e a perda de recursos de gás natural.
Em 2025, dados apresentados na International Scientific and Practical Conference on Environmental Aspects of Innovative Technologies in Hydrocarbon Development (TESC 2025) indicaram que as chamas haviam sido reduzidas a cerca de um terço de sua intensidade original. A empresa estatal Turkmengaz perfurou poços ao redor da cratera para capturar o metano antes que ele alimente a combustão.
Análises de imagem infravermelha feitas pela consultoria Capterio indicaram, até 2026, uma redução de mais de 75% na intensidade térmica das chamas em relação a três anos antes. O futuro da cratera como atração turística é incerto: se os esforços de contenção tiverem sucesso, a "Porta do Inferno" pode se apagar pela primeira vez em mais de meio século.
Curiosidades verificadas
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A cratera nunca foi projetada para existir. Ela é resultado de um acidente de engenharia de sondagem — nenhuma cratera foi "construída" intencionalmente. A decisão de ignição foi uma medida emergencial para conter o vazamento de metano (BBC Travel, 2021).
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O Turcomenistão possui a quarta maior reserva de gás natural do mundo. O campo de Darvaza faz parte da vasta Bacia do Amu Dária, e a perda contínua de gás pela cratera representa desperdício de recursos significativos para o país (Geology.com; CIA World Factbook).
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George Kourounis encontrou vida no fundo da cratera. As amostras de solo coletadas em 2013 revelaram bactérias extremófilas ativas em um ambiente com temperaturas superiores a 400 °C no ponto de coleta (National Geographic, documentário "Die Trying", 2014).
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A cratera é visível a quilômetros de distância à noite. O brilho alaranjado do metano em combustão torna a cratera um marco visual no deserto do Karakum mesmo para quem está longe do local (relatos documentados por múltiplas fontes jornalísticas e operadoras de turismo).
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Não existe um único documento oficial soviético público que confirme os detalhes exatos do acidente. A narrativa de 1971 é aceita como a versão mais provável, mas nunca foi corroborada por documentos de arquivo liberados (BBC Travel, 2021).
Mitos x Verdades
Mito: A cratera é um fenômeno natural, como um vulcão. Verdade: Não. A cratera é de origem antrópica — formou-se a partir do colapso do solo durante uma operação de perfuração de gás, e foi incendiada intencionalmente por engenheiros soviéticos (Geology.com; BBC Travel, 2021).
Mito: O fogo de Darvaza vai durar para sempre. Verdade: Dados de 2025 e 2026 mostram que a intensidade já caiu mais de 75% devido à depleção parcial do reservatório local e aos esforços de contenção com poços de captura de metano (Capterio; TESC 2025).
Mito: "Porta do Inferno" é o nome oficial do local. Verdade: O nome oficial é Cratera de Gás de Darvaza. "Door to Hell" ou "Gates of Hell" são apelidos populares criados pela mídia e por turistas, sem status oficial (Wikipedia; Geology.com).
Linha do tempo
- 1971 (data mais aceita): Sondagem soviética atinge cavidade subterrânea no campo de gás de Zygly-Dervaza. O solo desaba, formando a cratera. Engenheiros decidem atear fogo ao gás para conter vazamento.
- 2004: Governo turcomeno realoca a vila de Darvaza, próxima à cratera.
- 2010: Presidente Berdimuhamedow visita o local e, segundo relatos, ordena estudos para apagar o fogo.
- 2013: George Kourounis desce ao interior da cratera, coleta amostras de solo com bactérias extremófilas (Extreme Microbiome Project / National Geographic).
- 2022: Presidente ordena formalmente que especialistas encontrem solução para extinguir as chamas.
- 2025: Conferência TESC 2025 anuncia que as chamas foram reduzidas a um terço da intensidade original, com poços de captura de metano operacionais.
- 2026: Imagens infravermelhas da Capterio confirmam redução de mais de 75% na intensidade térmica.
Galeria

Perguntas frequentes
Referências e fontes
- BBC Travel. "The Darvaza Crater: The USSR's Top-Secret Desert Mystery." 2021. Disponível em
- Geology.com. "Darvaza Gas Crater." Disponível em
- National Geographic. "Turkmenistan's 'Door to Hell' Crater." Disponível em
- Interesting Engineering. "Door to Hell to Finally Burn Out After 54 Years." 2025. Disponível em
- Discover Wildlife. "Darvaza Gas Crater, Turkmenistan." Disponível em
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